quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

NHK紅白歌合戦 - Kouhaku Utagassen



Final de ano chegando .... todos os anos é a mesma coisa "Nossa, o ano já acabou!" .... "Como este ano passou rápido!" ... "Preciso fazer as compras de Natal" ... e, para quem voltou a acompanhar o cenário musical japonês, é época da lista dos participantes do Kouhaku Utagassen.

Lembro como a minha mãe gostava de assistir o Kouhaku.
A expectativa dos cantores, da roupa que eles usariam, da música que eles cantariam ... todos os anos assistir o programa com ela era uma delícia .... no começo, era preciso esperar vir o VHS de São Paulo, depois com a trasmissão ao vivo no Brasil pela NHK, era preciso apenas esperar acabar as obrigações da ceia do Oshougatsu e assistir o vídeo gravado pelo meu pai.

Depois que eu saí de casa para estudar, perdi um pouco o interesse pela música japonesa, e pelos festivais e programas de música. Mas de uns tempos pra cá, talvez numa tentativa de resgatar as melhores lembranças da minha mãe, voltei a assistir programas de música japonesa e novelas japonesas .... como a Internet ajuda a diminuir a distância com o Japão .... talvez de alguma forma diminua também a distância com a minha mãe ....

No ano passado, eu assisti de novo o Kouhaku, depois de muito tempo ... gostei da experiência, apesar de não conhecer mais os cantores .... lembrei tanto da minha mãe e me emocionei em vários momentos do programa .... Este ano, mais conectada e por dentro da mídia japonesa, já vi a lista dos participantes .... a metade eu não conheço, é verdade .... mas voltei a me interessar pelo SMAP e TOKIO, super moleques da minha época de Kouhakus .... e, por influência de uma amiga virtual que encontrei nestas minhas andanças pela Internet em busca de notícias de novelas e músicas, estou na expectativa pela apresentação do Kanjani8.

Fico pensando no que a minha mãe diria vendo a ausência da Kobayashi Sachiko, ou as apresentações grandiosas das AKB48 e SKE48 ... será que ela ainda ficaria feliz vendo o Hosokawa Takashi sem um fio de cabelo fora do lugar, apesar das inúmeras plásticas no rosto? O que ela diria sobre o Arashi, quando eu comentasse que eles são mesmo lindos? Os próprios Shonentai da atualidade .....
Mãe, aí no céu passa o Kouhaku? Ou você vem me visitar pra assistir comigo? Posso acreditar que sim?
O que eu faço com esta saudade enorme que teima em me visitar toda vez que eu vejo algum programa relacionado a música japonesa?

Bom, no meio desta saudade, vou me preparando pra assistir o Koukahu este ano. Ainda não sei se vou conseguir ver ao vivo ... mas com a velocidade que as coisas sobem na net, provavelmente no dia seguinte já será possível assistir .... sentindo a minha mãe sentada ao meu lado, ou dentro do meu coração, vou fazendo sozinha os comentários que ela faria .... acho que assim me sinto mais perto dela, e ajuda a minimizar um pouco a saudade que eu sinto dela ....

É, mãe ... que bom que terei para sempre as lembranças de nossos Kouhakus para poder de alguma forma me conectar de novo a você nas viradas dos anos ...saudades e te amo pra sempre!



quinta-feira, 19 de julho de 2012

Reencontros


Depois de meses longe do blog, senti vontade de escrever de novo ...
Estou de férias, e provavelmente as emoções da viagem pra Prudente despertaram sentimentos que estão pedindo para serem transformados em palavras.

Desde a perda da minha mãe, meus sentimentos andam intensos. Se a saudade é imensa e a tristeza de não poder mais abraçá-la enchem meu coração de lágrimas, também aprendi a valorizar mais os momentos. Aprendi a viver intensamente cada encontro, cada coincidência. O nosso último café da tarde juntos, uniu, pelo acaso ou pela mão de Deus, meus pais e os 4 filhos, num simples café ao redor da mesa. Parecia que seria mais um, depois de muitos anos, é verdade, mas ninguém imaginava que seria o último. Agradeço todos os dias a Deus por ter dado a oportunidade de estarmos juntos naquele tarde.

Depois disso, comecei a dar mais valor a cada momento da minha vida ... não diminuiu, em nada, a tristeza de ter perdido um grande amigo depois de uma despedida rápida na porta do salão na festa do meu filho. Uma despedida comum, com a certeza de que o próximo encontro seria dali a alguns dias, na próxima festa. Mas só fez reforçar ainda mais este desejo de encontrar as pessoas, reencontrar as pessoas que já foram importantes na minha vida.

E este ano, quase numa promessa de começo de ano, decidi que faria todo o esforço necessário para encontrar as pessoas. E, passado meio ano, acho que tenho tido sucesso nesta empreitada. A coincidência tem me ajudado também, ou seria o reconhecimento divino do meu esforço, e a mão de Deus tem colocado as pessoas no mesmo local que eu para que estes reencontros aconteçam ... só sei que só este ano, encontrei pessoas que não via há 20 anos e posso dizer que cada encontro tem sido sensacional. O tempo, a distância, nos levou a caminhos diferentes, mas o carinho que nos uniu um dia continua forte e faz com que o abraço seja muito sincero.

Logo no começo do ano, fui para Indaiatuba, pertinho aqui de Campinas, encontrar uma grande amiga, companheira de baladas, shows e carnavais. Foram muitas lembranças, conheci sua filha e seus sobrinhos, filhos de também amigos antigos, e saí deste encontro com vontade de mais, de resgatar as memórias e mostrar o quanto foram importantes para mim e quanto de carinho ainda existe.

Em abril, teve a missa de 2 anos de morte da minha mãe. Numa agradável surpresa, recebi as minhas primeiras melhores amigas, duas irmãs que não via desde o meu casamento. Ver a filha de uma delas, trouxe tantas lembranças da nossa infância e adolescência. O abraço de despedida foi muito sincero e confortante. Depois de tanto tempo, muita coisa mudou, mas o carinho ainda é imenso.

E nesta última ida a Prudente, pra comemorar os 80 anos do meu pai, vi que estes encontros têm valido muito a pena. Ainda no meio da emoção do discurso e fotos da comemoração, mais um encontro, a amiga que foi companheira das primeiras noites de estudo, da luta pelo vestibular, do primeiro passo pra vida independente quando fomos pra SP fazer cursinho. Mais uma desta mesma época, não pode ir na festa do meu pai, então decidi ir visitá-la, afinal um conflito de agenda não ia atrapalhar meus planos de encontrar meus amigos. Foram encontros deliciosos, ver que as companheiras de baladas tinham se transformado em mães dedicadas foi realmente emocionante.

Como ainda tinha mais um dia na cidade, combinei de ir encontrar uma amiga ainda da época do ginásio. Fazemos aniversário no mesmo dia, nasci exatamente um ano depois dela, e talvez esta coisa de signo, de astros, tenha nos unido, fazendo com que nossos gênios se combinassem. E mesmo depois de tanto tempo, é delicioso conversar, dar risada. O seu esforço de sempre é encantador e mais uma vez, a admirei pela sua força delicada de correr atrás de seus sonhos.

E, quando estava deixando a cidade, com um sentimento de dever cumprido, encontro, ao acaso, no saguão do aeroporto, alguém que não via há mais de 20 anos ... que coincidência deliciosa. O marido dela embarcou no mesmo avião que nós, e mesmo tendo sido muito rápido, encontrá-la foi sensacional ... o abraço de despedida foi cheio de carinho. Mesmo que o próximo encontro seja daqui a 20 anos, a mensagem de que ela foi importante pra mim parece ter sido transmitido naquele abraço.

Por isso, a minha promessa de começo de ano, vai se transformar numa promessa permanente ... farei destes reencontros a prioridade dos meus esforços ... no meio das obrigações e agendas das crianças, não será uma tarefa fácil, mas depois da emoção destes primeiros encontros, posso garantir que vale a pena. Por isso, amigos que não vejo há muito tempo, aguardem ... eu vou ao encontro de vocês!!!!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Akemashite omedetou ....



E lá se foi mais um ano ... Ano Novo, muitas promessas, muitas esperanças ... mas a verdade é que todos os anos o Ano Novo pra minha família significa muita comilança.
Nunca comemoramos o Natal na minha família ... somente a passagem do ano. Todos os anos, a virada de ano era obrigatória e sem margem para negociações.

A minha mãe passava o dia cozinhando, para ser devorada em minutos à noite, e depois da meia noite, o tradicional "um no soba" (macarrão da sorte). Comi soba pra passar no vestibular, para arrumar um bom emprego, para ter um bom parto. Talvez lá no fundo do meu coração, comi soba para arrumar um grande amor também. E sempre, agraciada pelo soba ou por simples sorte ou destino, todos os meus sonhos foram se realizando.

Este ano, no segundo "Oshougatsu" sem a minha mãe, é inevitável lembrar de todas as tradições que ela fazia questão de perpetuar em nossa família ... além de muita comida no jantar da passagem de ano, o soba como primeira refeição do ano, ainda teve moti distribuídos nos carros e o Kouhaku Utagassen.

O Kouhaku é um festival de música que acontece todos os anos no Japão na noite de 31 de dezembro. Os cantores de maior prestígio nacional se dividem em equipe branca (masculina) e equipe vermelha (feminina) e duelam com apresentações megalomaníacas e visuais de gosto questionáveis.
Mas a verdade é que é um espetáculo, com detalhes e organização literalmente nipônicas.

A minha mãe sempre gostou do Kouhaku ... quando eu era criança, e a tecnologia era realmente do século passado, o Kouhaku levava cerca de seis meses para chegar ao Brasil. Lembro da minha mãe indo assistir a sessão do Kouhaku na ACAE com todo o restante da colônia japonesa prudentina.
Depois, chegou a era do vídeo cassete, e a espera diminui para um ou dois meses. Meu pai ia pra São Paulo e alugava o vídeo do Kouhaku e a minha mãe tornava-se indisponível por quatro horas para apreciar cada apresentação.

Eu já não estava mais em casa quando chegou a transmissão via satélite e a NHK passou a transmitir ao vivo no Brasil. Pronto, não tinha mais espera ... toda manhã do dia 31 de dezembro, o Kouhaku era transmitido ao vivo no Brasil também. Mas como dia 31 de dezembro era dia da minha mãe passar o dia cozinhando, meu pai gravava e ela assistia no dia seguinte ... quase como tradição, no primeiro dia do ano, eu assistia com a minha mãe o Kouhaku do dia anterior.

Teve um tempo em que eu acompanhava anualmente o Kouhaku. Sabia quem ia cantar, qual música, ficava esperando pra ver com qual roupa apareceria, que novidade seria mostrada ... glorioso anos 80, com as apresentações de Akina, Seiko e Kyon Kyon. Teve também a inesquecível despedida da Mori Masako e torcia todos os anos, junto com a minha mãe, pro Akagumi (equipe vermelha) vencer.

Depois perdi interesse, achava todas as apresentações iguais, todas as meninas dançavam no estilo Spice Girls, e todos os homens (?) também pareciam as Spice Girls. Mas, para fazer companhia para a minha mãe, assistia com ela e continuava torcendo pra equipe vermelha.

Este ano, depois de anos, resolvi acompanhar e assistir ao Kouhaku.
Quanta diferença do tempo em que a minha mãe esperava seis meses pra ver uma apresentação. Hoje, menos de 24 horas depois, já estava na Internet, a apresentação e vários comentários sobre as apresentações. E este ano, depois de vários anos de domínio masculino, a equipe vermelha ganhou.

Me senti mais perto da minha mãe, ou senti minha mãe mais perto de mim, não sei direito.
Mas tive a nítida sensação de que ela estava sentada ao meu lado quando a Matsuda Seiko cantou com a sua filha ou quando o "boneco" Hosokawa Takashi dividiu o palco com a Fuji Ayako. Certamente minha mãe teria gostado de ver estas apresentações e teria vibrado com a vitória do time feminino.

Talvez não, porque acho que ela tem algo mais evoluído para fazer no novo mundo onde ela se encontra do que torcer pra equipe feminina, mas lembrar dela nos pequenos sentimentos assistindo o Kouhaku, me fez ter certeza de que a minha mãe viverá para sempre em minhas lembranças e trazer a tona estas lembranças preenche meu coração com o seu amor.

Sinto muita saudade, mas hoje a dor é menor do que já foi, e consigo espantar a tristeza simplesmente lembrando de coisas boas que passamos juntas ... Te amarei para sempre!!!!

Que venha 2012!!! 明けましておめでとうございます ...ou simplesmente, Feliz Ano Novo!!!!

domingo, 27 de novembro de 2011

E viva a amizade!!!!

Yuujou = amizade

Esta foi uma semana intensa ... começou com memórias e lembranças de um grande amigo que se foi há um ano ... amigo, daqueles que a gente não encontra em qualquer lugar. Amigo, quase irmão ... esteve do meu lado no período mais difícil que eu tive que enfrentar. Presente, amigo, companheiro ... trouxe palavras e abraços em momentos doloridos ... me deu a mais valiosa amizade. Desde que ele se foi, me sinto um pouco órfã ... com a sensação de que me falta um apoio, me falta um pilar ... me falta um amigo.

Estive presente na missa de um ano em memória a sua partida. Muitas lembranças, muitas lágrimas, muita tristeza e muita reflexão ... mas de alguma forma um conforto poder estar perto de sua família e seus amigos. Estar próxima da Denise e das crianças, me faz sentir o Alexandre mais perto ... me faz sentir abençoada por ter tido a amizade dele. Manter esta amizade pela Denise e pelas crianças é quase uma forma de agradecimento a tudo o que este grande amigo sempre fez por mim. Acompanhar o crescimento das crianças, comemorar a sua evolução foi a melhor forma que eu encontrei de dizer obrigada.

Com o tempo, esta dor deve diminuir, as lembranças serão apenas memórias e a tristeza vai virar só saudade. Neste dia, quero poder olhar as crianças, talvez já crescidas, e contar a elas sobre a pessoa maravilhosa que seu pai foi ... e o quanto eu fui feliz por ter sido amiga dele.

E, ainda emocionada e sensibilizada pelas lembranças desse grande amigo, fui para um final de semana encantado. Muito riso, muita diversão, muita alegria, muito sol e piscina. Estamos todos acabados, precisando dormir uma semana seguida para nos recuperar do final de semana agitado. Mas feliz em sentir que saio de um encontro de amigos.
Unidos pela escola em comum de nossos filhos, formamos uma turma animada e alegre, sempre pronta para nos apoiar um aos outros. Tenho dois filhos, que já passaram por diferentes turmas de escolas ... mas esta é uma turma diferente. Meu pequeno já saiu da escola, já tem outra turma de colégio ... e eu fico muito feliz em ainda fazer parte desta turma encantada.

Sempre digo que este encontro de mães não foi por acaso. Esta é uma turma especial, formada por pessoas muito queridas. Eu tenho uma satisfação enorme em perceber que mesmo depois de um ano fora da turminha da escola, continuamos juntos e no coração desta gangue dos vermelhinhos. Amigos que levo no coração, momentos memoráveis que tivemos este final de semana ...

E termino a semana reverenciando os bons amigos. E tendo a certeza de que os meus amigos são mesmo o maior tesouro de minha vida. E viva os amigos!!!!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Conectada a Cultura Japonesa




Esta semana, a Natália decidiu que quer apresentar uma dança japonesa no show de talentos na casa da amiguinha .... e lá fui eu, procurar uma música japonesa, lembrar da coreografia, e ensinar pra ela .... "Haru yo koi ... hayaku koi ..."

E junto com a coreografia que ainda está na minha cabeça, vieram várias lembranças ... de todos os taikais que participei, dos bastidores, das viagens, dos ensaios ... e muito, mas muito da minha mãe.
Minha mãe sempre gostou muito de dançar, e mesmo nos últimos anos afetados pelo Alzheimer, ela ainda dizia que estava ocupada com os ensaios de odori.

Nesta época, eu não pensava muito no que podia acontecer depois que eu me tornasse adulta ... tudo parecia tão intenso, tão duradouro ... achava natural ter taikai todo final de semana, ir de uma cidade pra outra .... coloca kimono .... "ai, tá muito apertado!" ... brigava com a minha mãe porque meu cabelo não tinha ficado como eu queria ... "não faz maquiagem branca ... fico parecendo um fantasma!!!!" .... como eu implicava com tudo!!!!

Aliás, perfeccionismo herdado pela leonina maior da casa ... a minha mãe gostava de tudo perfeito! Nada podia ser mais ou menos ... e esta herança me persegue até hoje, no trabalho, no casamento, com meus filhos ... tento pegar mais leve com as crianças, mas quando vejo, estou corrigindo a lição errada, apagando para fazer de novo, "desta vez caprichado!".

A minha mãe gostava tando de odori, que se dispôs a ir até Santa Rita do Sapucaí, me vestir para eu dançar no festival da academia de dança da cidade ... acho que foi a última vez que eu vesti kimono. Depois disso, me afastei de qualquer atividade da cultura japonesa ... a correria da minha vida adulta não deixou muito espaço para isso ... e aqui em Campinas, nunca me interessei em frequentar os clubes da colônia.

Mas agora, vendo a Natália se interessar, e me pedindo para ensinar a dançar uma dança japonesa, um orgulho enorme invade meu coração e parece que entendo um pouco todo o orgulho que a minha mãe sempre demonstrou por mim. Como ela inflava o peito cada vez que alguém me elogiava ... dizia sem nenhuma modéstia que eu gostava tando de dançar que estava ficando cada vez melhor.
Nos passos da dança da Natália, sinto a minha mãe mais perto, e grita dentro de mim uma necessidade de resgatar esta conexão com a cultura japonesa ... como se não pudesse deixar morrer estra tradição ...

E nas músicas japonesas que estão no meu iPod ... e nas novelas japonesas que eu acompanho ... sinto um pedacinho da minha mãe me guiando, me lembrando o valor e a importância de manter um pouquinho da tradição japonesa nesta correria do meu mundo de adulta.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Respeito ... como perpetuá-la?




Estes dias, lendo alguns posts e revendo alguns episódios da minha vida, me peguei pensando sobre índole e caráter ... como ensinar aos meus filhos os verdadeiros valores desta vida, num mundo tão competitivo onde todos querem tirar o máximo de proveito de qualquer situação?

Como ensinar a não furar fila, a pegar o lixo do chão e jogar na lixeira, a ser gentil com o porteiro do condomínio, se quem não faz nada disso está por aí, convivendo conosco do mesmo jeito?
E pra mim, tudo isso está diretamente ligado a coisas mais sérias como não prejudicar o outro, respeitar os mais velhos, não ter preconceito, respeitar os animais.

Assustada diante de notícias como a do aluno que atacou o professor, olho ao meu redor e vejo as pequenas coisas que estão erradas, mas são aceitas porque não são graves.
Receber um troco a mais na padaria é permitido porque são centavos? Outro dia o frentista me agradeceu pela minha honestidade ... e alguém precisa agradecer pela honestidade? Ser honesto não é obrigação do cidadão?

Deixar o idoso passar a sua frente na fila não deveria depender só de lei, tento ensinar isso aos meus filhos ... e me deparo com um casal de namorados felizes (e jovens e saudáveis!) estacionando na vaga reservada a idosos e deficientes.

Alguém já me disse, as crianças aprendem por exemplo. Mas num mundo onde a gente vê diariamente na TV políticos desonestos ditando as leis do país, só o meu exemplo será suficiente?
Alguém já me disse também que eu sou certinha demais, que eu não aceito nem admito nem pequenos deslizes. Verdade, sou rígida demais, sou controladora demais ... mas continuo dizendo, pra mim não tem diferença entre o aluno que matou a professora e a criança que falta com respeito aos avós. A gravidade pode ser diferente, mas a falta de respeito precisa ser contida por menor que seja.

Não achei ainda a solução pra isso, mas quero acreditar que tenho ensinado por meio de bons exemplos, os meus filhos a terem caráter. Olho com orgulho e às vezes até uma lágrima nos olhos quando eu os vejo pegar um lixo no chão e jogar na lixeira. Ou quando eles se indignam também com pessoas jovens parando o carro na vaga de idosos.
Tento ensiná-los diariamente a dizer "Bom dia" e "Obrigado".
Repreendo-os quando acho que não agiram com respeito suficiente a adultos a seu redor.
Fico brava quando vejo que eles agiram sem pensar nos amigos.

Mas, ainda assim, fica a insegurança ... num mundo tão competitivo como este, só isso é mesmo suficiente?

domingo, 9 de outubro de 2011

Ciclo da vida ... como se acostumar?




Depois de muitos pedidos da Nat, fiz yakisoba hoje ... receita da mamãe, lógico!
Enquanto eu picava os legumes, lembranças e memórias tomavam conta da minha cabeça ... e das minhas lágrimas!
Lembranças da mamãe na cozinha, picando os mesmos legumes .. e eu sentada no banquinho, enchendo-a de conversas .... ou lembranças dela no kaikan, eu chegando e dizendo que queria o yakisoba, mas tinha que ser o dela, porque não queria nenhum yakisoba preparado por outras mãos ....

Mãe, hoje em algum lugar do paraíso ou de onde você estiver, você deve estar dando risada quando ouve a Nat dizendo, depois de comer yakisoba em algum restaurante, "ai que vontade comer o yakisoba da mamãe ....".
Lembro claramente quando você me proibiu de comer yakisoba fora de casa, porque eu dava mais trabalho ainda pedindo pra você fazer o SEU yakisoba.
Pois é ... parece que a Nat aprendeu esta lição ... sofro do mesmo mal agora ... não sei se dou risada, ou se também a proíbo de comer yakisoba fora de casa.

E hoje, no meio das minhas lágrimas e lembranças, senti doer mais uma vez a dura realidade de ter que aceitar o ciclo da vida ... uns terminam suas missões neste mundo e se alçam para novas missões ... e nós, que ficamos aqui pra terminar nossa missão neste mundo, temos que nos acostumar a viver sem aqueles que nos deixam ... nos alegrando com a chegada de novos membros na família, e nos acostumando a viver sem o abraço dos que nos deixaram.

Difícil aceitar isso ... nosso egoísmo é grande demais para simplesmente aceitarmos isso.
Saudade ... dói demais ainda a saudade ... falta da minha mãe e falta do Alexandre ainda dói demais ... pensar que nunca mais poderei abraçá-los, que nunca mais ouvirei suas vozes e seus conselhos.
As lágrimas não param de correr ... a dor se instaura no meu coração ... e o que me acalma é o abraço forte e sincero das crianças ... abraçar a Nat e o Ti acalmam meu coração ... como algo que me diz que a vida se recicla no amor destas crianças ... é como se o amor da minha mãe se revivesse no amor que se instaura no meu coração pelos meus filhos.
Também é assim quando eu vejo o Caio e a Nina ... é como seu minha amizade pelo Alexandre se renovasse cada vez que os pego no meu colo.

Pois é ... o Felipe está a caminho, a Manu enche nossos dias de alegria.
Nesta felicidade vivida com as novas vidas que chegam a este mundo, rindo das gracinhas da Nat e do Ti, vamos vivendo nossas vidas sem a batian, na esperança de nos acostumar a viver sem ela, aceitando o novo ciclo de vida, e tentando entender porque pessoas nos deixam, limpando as lágrimas e vivendo um dia de cada vez, orando diariamente para que eles, mamãe e Alexandre, estejam evoluindo em suas novas vidas a cada dia, e que nos protejam de onde quer que estejam.

Mamãe, Alexandre, recebam minhas orações e continuem iluminando nossas vidas.
Aqui da Terra, eu prometo continuar lutando diariamente por um mundo melhor para nossos filhos, com a lembrança de suas memórias e tentando aprender a viver sem vocês.
Suas vidas certamente deixaram um legado ... e no meio de saudades, tento viver este legado, com a certeza de que vocês continuam vivos em meu coração.....