sábado, 13 de agosto de 2011

Pai é tudo de bom!




Hoje foi a celebração do dia da Família em homenagem ao Dia dos Pais na escola das crianças. Lindo e emocionante como sempre, em um determinado momento, enquanto todos cantavam "Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada ..." as lágrimas caiam em meu rosto sem pedir licença. Como o Tiago já tinha me autorizado a chorar: "Se você quiser, pode chorar ...", não me importei com as lágrimas e me perdi nas minhas emoções.

Lembrei do meu pai, sempre presente, sempre inteligente, sempre pronto pra ajudar. Eu lembro quando dizia "Espero que o meu marido seja tão bonzinho quanto o papai..." e abro o olho das minhas lembranças e vejo ali, do meu lado, abraçado às crianças, o pai que eu escolhi pros meus filhos.

Pai não é de escandalosas demonstrações de amor, quem faz isso é mãe ... quem sufoca os filhos de beijos é mãe ... quem diz 535 vezes por dia que ama os filhos é mãe ... pai parece não precisar disso ... eles amam e pronto! Eles estão sempre por perto, prontos para amparar, ajudar, abraçar os filhos. E basta que os filhos saibam o quanto eles os amam, ninguém mais. Eles parecem não ter necessidade de gritar aos quatro ventos o quanto eles os amam, que já não conseguem mais se imaginar sem eles.

E hoje, vendo as crianças cantando com os olhos cheio de amor para estes pais, confesso que tive uma pontinha de inveja deles ... tanto amor na voz das crianças, tanto amor no abraço das crianças, e eles continuavam com o olhar sereno de um pai, sem a necessidade de uma escandalosa demonstração de amor. Eu respondi a tudo isso sufocando meus filhos de beijos ... e dai que é Dia dos Pais? Mãe pode sufocar os filhos de beijos e ponto!

E é com toda esta emoção no coração, que eu desejo a todos os pais do mundo um domingo lindo e com muita muita alegria. Não vou poder abraçar meu pai pessoalmente, mas fico feliz em saber que ainda poderei ligar pra ele e desejar Feliz Dia dos Pais. Sei que vai ser uma conversa curta, ele vai responder Obrigado e a conversa não vai perdurar muito, mas sei que o que nos une é muito maior e mais grandioso do que isso. Sei que nossos corações estarão ligados amanhã, e para sempre.

Sou feliz demais por ter nascido filha do meu pai. Não receio nem um pouco admitir que ele é de longe, o melhor pai do mundo, e agradeço demais por todo amor e exemplo que recebi dele. Exemplo que me fez encontrar sim um marido tão bonzinho quanto o papai .... e olhando hoje meus filhos abraçados ao seu pai, tenho a certeza de ter escolhido também para os meus filhos o melhor pai do mundo.

Feliz Dia dos Pais!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Addicted to Jdramas



Durante a minha adolescência, assisti a várias novelas japonesas. Ainda morava com os meus pais, ainda falava japonês com a minha batian. "Furyoshojo to yobarete" era o meu favorito, sobre uma gangue de meninas, algo bem diferente da imagem que eu tinha de novela japonesa.

Depois, faculdade, trabalho, casamento e filhos ocuparam meu tempo e nunca mais tinha assistido a estas novelas. Algumas vezes, em férias na casa da minha mãe, assisitia um ou outro capítulo, mas deixei de acompanhar novelas, em qualquer idioma. Por falta de tempo, ou de interesse, parei de assisti-las.

Alguns anos atrás, meu cunhado e minha irmã chegaram com uma novela, muito bonita segundo eles, um exemplo de vida. O nome? "1 litro de lágrimas" ou "1リットルの涙". Sobre uma menina de 15 anos que descobre uma doença degenerativa incurável e a novela mostra os 10 anos seguintes de luta e amor na vida desta adolescente entrando na vida adulta. Novela para chorar rios de lágrimas, conforme o nome sugere.

Como nas férias não deu tempo de assistir todos os capítulos, voltei pra casa e procurei na Internet. Descobri, ou redescobri, uma nova paixão. As novelas japonesas, ou Jdramas. Terminei de assistir "1 litro de lágrimas", chorei mais alguns litros de lágrimas e fui pesquisar sobre os artistas e outras novelas. Cheguei no também dramático "Taiyou no Uta" com a mesma atriz (Sawajiri Erika), no polêmico "Last Friends" com o mesmo ator (Nishikido Ryo) e aos poucos fui entrando neste mundo.

Por que eu gosto tanto? Não sei direito. Talvez porque eu lembre da minha mãe assistindo estas novelas. Talvez porque me traz de volta a cultura japonesa que eu tinha deixado um pouco de lado nos últimos anos. Talvez porque estas novelas trazem uma mensagem forte de que a vida vale a pena. Em várias novelas, principalmente naquelas que o personagem principal morre (como diz a Nat, toda novela morre alguém?) e a gente derrama rios de lágrimas, ouvi várias vezes "Sou feliz por poder ter vivido estes anos junto a você."

Isso sempre me toca muito. Perdi duas pessoas muito queridas em um ano. Minha mãe, única e maravilhosa, fonte de inspiração e admiração eterna. E um grande e querido amigo, que nos deixou de uma hora pra outra, de forma repentina. Duas perdas enormes, aperto no coração, perdas irreparáveis.

E quando acaba uma novela, limpo minhas lágrimas e penso que valeu muito a pena ter nascido filha da minha mãe, e ter encontrado alguém como o Alexandre no meu caminho. Apesar da dor da perda, escolheria passar tudo de novo ao lado deles.

E vou seguindo assistindo algumas novelas antigas e acompanhando a temporada atual ... ansiosa pelo início da temporada de verão .... lembrando da minha mãe, lembrando das novelas que a gente assistia juntas.

domingo, 22 de maio de 2011

Tricot ... com amor


É ... parece que o verão foi mesmo embora.
E estes últimos dias gelados tiraram do armário jaquetas, blusas, botas e cachecóis ... ah, os cachecóis!!!! Simples acessórios, mas cada cachecol do meu armário tem uma história, uma lembrança.

Tem os que a Hi e a Sel fizeram, naqueles anos de intensa produção delas ... ah, Carol, seus anos de cursinho renderam lindos adornos pro meu pescoço! Tem o que a mamãe fez quando o Tiago nasceu ... quase 5 anos depois, continua lindo ... aquecendo meu pescoço e o meu coração com as lembranças da mamãe tricotando o cachecol.
Tem os que eu mesma fiz, juntando linhas e agulhas ... menos preocupada com a produção final e mais querendo esvaziar a mente de preocupações e só ocupar as mãos ... alguns bonitos trabalhos foram produzidos desta tricoterapia.
E o mais novo exemplar do meu guarda-roupa (que aliás, acabei de descobrir com a Nat que continua com hífen), o cachecol que eu ganhei da minha filha linda no último Dia das Mães.
Herdando a habilidade da família, a pequena da família também leva jeito pra coisa. E neste final de semana, ela quis aprender a tricotar (o cachecol do Dia das Mães foi feito de crochê).

E, ensinando a Nat a tricotar, me perdi e me encontrei nas minhas lembranças ... entre pontos perdidos e os pontos que "deram cria", lembrei do meu processo de aprendizagem. Um colete amarelo foi minha primeira produção, e acho que até outro dia ele ainda "rolava" pelas coisas em casa.
Hoje, sentada no sofá, eu e minha pequena, juntas na arte de tricotar, lembrei dos vários dias que passei do lado da mamãe tricotando, cada uma com o seu tricot na mão, criando lindas obras de arte.

E a partir de hoje, cada vez que eu vestir um cachecol, feito pela mamãe, por mim ou pelas minhas irmãs ... e agora, também pela minha filha, vou lembrar não só da história deste acessório, mas também do grande amor que ele carrega. Amor de quem fez, amor de quem ensinou, amor que atravessa gerações, amor herdado na habilidade das mãos.
E vendo o cachecol que sai das mãos da Nat, tenho a certeza de que as mãos habilidosas da mamãe ficarão vivas na herança desta família ... mãe, você deixou mesmo o seu legado .. até nos cachecóis ... te amo pra sempre!

domingo, 8 de maio de 2011

母の日 - quanta saudade!




Hoje foi um dia muito feliz. Ganhei abraços apertados dos meus tesouros, ganhei presente, passei o dia com pessoas muito queridas, pude dar Feliz Dia das Mães pra minha madrinha querida.
Mas alguma coisa estava vazio no meu coração ... faltava alguém pra ligar no final do dia, faltava ouvir a sua voz do outro lado do telefone, faltava você!

Voltando pra casa hoje a noite, lembrei de todos aqueles anos em que trabalhamos juntas no Dia das Mães ... como você trabalhava duro no seu dia, né?
O dia começava cedo ... eu acordava meio tonta, te dava parabéns pelo seu dia, meio dormindo, meio tentando acordar ... e a gente passava o dia inteiro no cemitério vendendo flores, eu mal via você o dia inteiro.

E à noite, mesmo depois de um dia cheio e cansativo, você sempre fez questão de me levar a rodoviária. Quanta saudade ... de olhar pra você de dentro do ônibus, me dando tchau, esperando até o ônibus sair da rodoviária.

Me despedir de você sempre foi difícil, mas a força que você sempre me passou com o sorriso e me dizendo "がんばって!" me fazia ser mais forte e superar as lágrimas. Afinal, eu não podia e não queria te decepcionar.
Acho que naquela época, eu nem imaginava um Dia das Mães sem você.

E hoje, neste dia dedicado às mães, só posso querer mais uma vez ser mais forte e tentar ser uma mãe perto do que você já foi. Espero ter aprendido tudo o que você sempre me ensinou e conseguir passar um pouco disso tudo para os meus filhos.
E como disse a Nat hoje "se você perdeu a sua mãe, é só procurar!" ... e eu percebi que eu não te perdi. Você continua no meu coração, nas minhas lembranças, na minha saudade.

Vou te amar pra sempre, e lembrar sempre de todos aqueles Dia das Mães que trabalhamos juntas, e do esforço sem igual que você fazia pra me levar à rodoviária quando o que você mais queria era deitar na sua cama pra descansar..... saudade, mãe!

domingo, 24 de abril de 2011

Domingo de Páscoa ... quanta comilança!

E assim termina o feriado ... que começou com o dia de Tiradentes e termina hoje com o domingo de Páscoa.

Todo feriado tem o seu significado, deveria ser para comemorar alguma coisa importante, ou refletir sobre algo importante, mas no fim das contas, vira só um feriado ... dias seguidos para descansar, brincar com as crianças, e uma desculpa para a comilança. Ovos de páscoa, chocolates, cardápios especiais pro almoço ... estou desde quinta feira fazendo refeições calóricas.

E no final deste domingo, muitas calorias a mais, tristeza natural de domingo à noite, sobrou um sentimento intenso de reflexão que me trouxe aqui pra escrever um pouco.

Hoje é um dia de renascimento, comemoramos o dia da ressurreição de Jesus Cristo. Mas exatamente o que isso significa? Penso que diariamente temos que renascer. Acordar para mais um dia, ensolarado ou chuvoso, mas mais um dia. O milagre de poder acordar todos os dias é por si só um motivo enorme para estarmos felizes.

Um dia de trânsito caótico, correria na hora do almoço pra deixar as crianças na escola, agenda lotada no trabalho, uma discussão com o marido por besteira, uma briga com as crianças porque elas não obedecem, uma chateação porque a empregada estragou aquela sua blusa favorita, um desentendimento com o chefe por um mal entendido ... ufa!

Mas graças da Deus eu tenho o privilégio de acordar mais um dia para poder enfrentar tudo isso ... e ganhar aquele sorriso dos meus filhos seguido de um abraço que só eles sabem dar, abraçar meu marido feliz em tê-lo do meu lado, ganhar "Bom dia" de várias pessoas legais no trabalho ... e poder a cada dia agradecer por mais um dia que termina e pedir forças pra enfrentar um outro dia amanhã.

Este renascimento diário não é mesmo um milagre?
Estarmos vivos todos os dias é gratificante.
Ver meus filhos crescendo, um pouquinho todo dia, não tem preço.
Por isso, Páscoa ou não, este domingo me fez refletir um pouco sobre o maravilhoso momento de acordar todos os dias ... e posso dizer que sou muito feliz em terminar este domingo agradecendo por poder esperar a segunda feira, terrivelmente maravilhosa segunda feira. Sim, que venha a segunda feira, que venha a semana ... com todos os problemas que a semana pode trazer.

E vamos escolher renascer hoje, na Páscoa, e todos os dias ... Bom início de semana!

sábado, 23 de abril de 2011

Pra começar ...

Faz tempo que eu tinha pensado em começar a escrever ... faltava tempo, assunto, disposição ... mas faltava mesmo era coragem, de encarar colocar pra fora o que reina na minha cabeça, de pensar que isso poderia ser lido por várias pessoas que não me conhecem, de ter que encarar tudo que está bagunçado na minha mente e converter em palavras ... será que eu dou conta?

Bom, resolvi encarar!

Não sei direito ainda sobre exatamente o que eu vou escrever.
Sobre a difícil arte de criar filhos? Sobre conciliar a loucura de educar crianças e trabalhar o dia inteiro? Sobre o meu mais novo vício de assistir novelas japonesas, que a gente chora do início ao fim? Sobre a saudade enorme que eu sinto da minha mãe e não consigo explicar porque dói tanto?
Acho que sobre um pouco disso tudo. Ou nada disso, nem sei se vou conseguir ter alguma regularidade nos meus posts.

Então, antes de mais nada, vou me apresentar ....
Tenho 38 anos, casada, 2 filhos.
Sou uma pessoa muito feliz, apesar de todas as dificuldades do dia-a-dia.
Tenho um marido maravilhoso, que como qualquer príncipe encantado da vida real, vira sapo vez ou outra ...
Tenho 2 filhos fantásticos ... realmente os melhores filhos do mundo ... mas que me deixam louca todos os dias, testando meus limites e insistindo em não me obedecer até o meu "último aviso".
Trabalho num lugar legal, com pessoas ótimas, mas sofro uma pressão enorme por resultados ... nem sei mais se a pressão é da empresa ou se é pressão minha mesmo.
Meu pai é sensacional ... minha mãe nos deixou de repente no ano passado, mas tenho certeza de que ela me olha e protege de onde ela está ... meus irmãos são muito companheiros, apesar deles me tratarem como a caçulinha até hoje e não terem respeito nenhum por mim, me deram 7 sobrinhos lindos e perfeitos.

Acho que na verdade mesmo, resolvi começar a escrever pra agradecer tudo de bom que eu tenho na minha vida.
Percebi que eu tenho duas escolhas: escolher olhar o que está ruim, e chorar com dó de mim mesma, ou escolher agradecer o que está bom encarando todas as dificuldades de todos os dias. Escolhi a segunda opção e o início deste blog tem muito a ver com esta decisão.

Bom, o nome do blog está em japonês porque este foi um mundo para o qual voltei recentemente (principalmente depois da morte da minha mãe) e que voltou a despertar um interesse enorme em mim.
Por isso, vou terminar este post com mais uma expressão em japonês ....
よろしくお願いします。